Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

{ Pra pensar...}

Às vezes desabafamos as nossas frustrações acerca dos nossos projectos pessoais com pessoas que pensamos estar do nosso lado, a torcer e a apoiar-nos para que consigamos ter sucesso e, de repente, levamos um balde de água fria gelo cabeça abaixo.

 

É dificíl ouvir dizer aos outros o que nos devia ser dito a nós. Faz-nos pensar duas vezes, pensar que se calhar o que fazemos não tem qualquer interesse ou valor. É assim uma espécie de facada no coração. E dói!

heart.jpg

 

Pequenas Decepções.

Acho que quem me lê já percebeu que eu sou uma pessoa muito sensível. Não significa isto que não seja lutadora ou que seja uma fraca, não. Tenho apenas um lado muito sensível, sempre fui assim e em determinadas situações, agudiza-se.

 

Há dias em que certas pequenas coisas despertam este meu lado sensível e me fazem sentir magoada, decepcionada. São coisas pequenas mesmo que podem ser ridículas e sem importância para os outros mas que a mim afectam. E geralmente são protagonizadas por alguém que me é próximo.

 

Não me manifesto, guardo estas pequenas coisas só para mim e ao longo do dia a coisa vai-se diluindo. É assim que tento lidar com esta parte da minha personalidade. Pode não ser a mais correcta mas é isto que faço.

 

Reflexão

 

Hoje sinto-me assim a modos que para o decepcionada, desiludida e com uma sensação de vazio.

 

Deparei comigo mesma a reflectir sobre a minha vidinha neste mês de Agosto e a sentir-me perfeitamente estúpida.

Levantar-me às 6.30, apanhar o autocarro – rezando fervorosamente para não o perder – chegar ao colégio super cedo, ir até ao café antes de entrar para fazer tempo (sim, porque há pais que ainda não está na hora de abrir o colégio já eles lá estão e eu detesto abusos), limpar as mesas com desinfectante – o que não me compete, mas enfim! -, começar a receber crianças, aturar fitas de crianças mal-educadas com o maior sorriso do mundo nos lábios quando a vontade real era dar umas palmadas nos rabos dos papás pois os meninos estão assim porque não lhes ensinam regras.

 

Depois vamos brincar para o recreio, segue-se a hora de almoço com as tradicionais fitas de “não gosto da sopa” ou então na variante “a sopa tem pêlos”. Fraldas mudadas, mãos lavadas, xixis feitos e ala pra caminha dormir a sesta.

 

Depois é a minha vez de fazer a minha hora de almoço. Que se pode fazer naquele tédio, numa zona tão mortiça? Continuar a trabalhar!

Lá pego eu nos meus livrinhos e vou tratar das planificações para o próximo ano.

 

Hora do lanche. Falta pouco para eu sair. Pego nas minhas coisas e vou apanhar o meu autocarro rumo a casa. E assim se passou mais um dia de trabalho chato e sem graça nenhuma. É que este ano nem actividades dá para fazermos com as crianças pois as disparidades de idades é muito grande e não me pagam para ser a mulher dos 7 ofícios.

 

É que aqui a parva já vai deixando de ser parva… um bocadinho… Se não sirvo para umas coisas também não sirvo para outras. I’ll tell you someday.

 

Chuva de Punhais

 

 

Sinto-me apunhalada por todos os lados, como se uma chuva de punhais me tivesse atingido subitamente.

Sinto-me muito ferida, esventrada, com rasgos dilacerantes por todo o corpo.

As lâminas frias e afiadas vão cortando o meu ténue fio de vida.

Esvaio-me em sangue, torrentes imparáveis que me levam todas e quaisquer forças.

E eu choro, lágrimas de sangue brotam dos meus olhos e a voz embarga-se, calando os gritos surdos que queria dar.

E a alma? Essa já nem existe…

Foi levada pelos guardiões das trevas.

Renegociá-la vai ser difícil.

No lugar do coração, tenho um espaço vazio, frio, sem vida…

Razões? Pessoais, impessoais, da vida…

De onde menos espera, recebemos punhais como se fossem gotas de orvalho numa manhã fria de Inverno.

Resisto.

 

Sinto-me numa fase de marasmo.

Parece que tenho o cérebro adormecido. Que eu, não sou eu.

 

Falta-me a motivação e a iniciativa.

E isto reflecte-se na minha parte criativa.

Não me apetece fazer nada, não me apetece sair de casa, arrumar as minhas papeladas, nem fazer materiais – que eu tanto gosto! - para os miúdos.

 

Não tenho forças para rir.

E tinha vontade de dar umas boas gargalhadas para sacudir esta inércia.

Ando sem inspiração nenhuma.

As ideias não fervilham na minha cabeça, como costuma acontecer.

 

Sinto-me desiludida, decepcionada com o mundo.

Precisava que a vida não fosse tão dura e que tudo tivesse um tom mais cor-de-rosa.

Refugio-me em casa que a comparo a um casulo que me protege.

Não me apetece enfrentar nem a vida, nem o mundo.

 

As atitudes humanas ferem-me.

Mas eu não me manifesto. Aguento a dor sem prantos ou lamúrias.

Resisto.

Desapontamentos...

                                    

 

Não estou a gostar de dar aulas no colégio…

Não estou a gostar do excesso de confiança dada aos alunos (praxe do colégio)…

Não estou a gostar de não ter intervalos durante as aulas…

Não estou a gostar das atitudes e comportamentos de alguns alunos…

Não estou a gostar de alguns encarregados de educação…

Não estou a gostar que entrem pela minha aula adentro, interrompendo tudo…

Não estou a gostar do elevado número de alunos por turma…

Não estou a gostar das salas serem espaços exíguos para tantos alunos…

Não estou a gostar de ter de me armar em má…

Não estou a gostar da desmotivação que estou a sentir…

Não estou a gostar do curto ordenado que estou a receber…

Não estou a gostar  de não ter espaço na sala para a minha disciplina…

Não estou a gostar das minhas expectativas iniciais estarem a ser defraudadas…

Não estou a gostar de não estar a conseguir contornar esta situação…

Não estou a gostar de não me apetecer ir para a escola (não é normal…)…

Não estou a gostar de estar com a pieira provocada pela minha alergia…

Não estou a gostar de me sentir doente e fragilizada…

Não estou a gostar…